Sinto-te, mesmo não te tendo perto. Pareces algo que existe mas que não pode ser visto... não com estes olhos carnais, estes com que vejo tudo o resto, na procura. No entanto sei o teu cheiro. Conheço o teu toque e o furacão que ele traz por dentro.
Consigo-te ver fechando os olhos, e admiro-te no teu lago de estrelas, onde te estendes e vagueias serena, parecendo viver um simples sonho de menina.
Estendo-te a mão e tu sorris... mas quanto mais perto me sinto, mais caminho tenho de percorrer. E tu dás-me o mapa de que preciso! E o mapa vem em hieróglifos egípcios, que nem sempre sei interpretar como tu queres.
Mas eu tento... eu tento e esforço-me por tentar. Porque apesar de tudo tu me fazes sorrir. Porque até quando me sinto sozinho no meio de uma multidão, tu me dás a mão e me tiras dali, mesmo eu não te vendo, porque tu estás mesmo não estando, e eu sinto-te não te tocando, e eu te ouço sem tu falando...
E és tu quem dança uma dança que dizes não ser tua, fazendo-o bem demais para quem diz não a possuir.
E é esta confusão diabólica que me deixa zonzo. Quero-te, sem te poder ter... e tu fazes-me feliz sem sequer o saber.
Talvez eu não deva querer entender tudo isto... Não foi o raciocínio que me trouxe até aqui, e com certeza não será ele quem me mostrará por onde seguir. Sei qual a locomotiva que apanhei... só não sei qual a estação em que devo sair.
Porque nem sempre se é forte e corajoso. Porque às vezes me sinto um menino que precisa de um pouco de colo. Porque se te encontrar não te verei, e quando te vir já tu passaste por mim, e estarei eu num porto, à procura do barco que já partiu...
Mas eu posso nadar até ti! Porque és um mar grande demais para simples remador, mas teus corais são tesouro de gigante estendido até ao céu, que voarei à procura em meu tapete voador.
Nunca me dou a ninguém, e descobri que já nem eu me tenho. Talvez também mereça ser de alguém... Talvez ninguém deva ser de ninguém... No entanto gosto de olhar para mim e ver-te ali também, mesmo quando não estás, pois estamos a escalar uma mesma montanha, e um puxa o outro sempre que preciso, para chegarmos a um cume que não sabemos o que nos reserva.