Os dias não fazem distinção entre si. Todos começam com o nascer do Sol e acabam com o reinar da Lua. E, apesar de cada indivíduo ser uma pessoa única e de todos os dias serem iguais, nós conseguimos vivê-los de formas diferentes, vendo-os com olhos distintos e sentindo-os com intensidades adversas.
Porque há dias que são ditos "especiais" mas que passam por nós como um simples risco no calendário de parede, enquanto simples dias comuns são, por vezes, para nós, uma espécie de feriado pessoal que queremos recordar e celebrar daí em diante.
E o bom da vida é não conhecer o dia de amanhã, e ser sempre apanhado de surpresa, como os amigos que se fecham em casa às escuras, todos em silêncio à espera, enquanto rodamos a chave na porta, prontos para gritarem, pois é o nosso aniversário.
Mas o amanhã consegue chegar a hoje, e por vezes é escrito em linhas apagadas, e as palavras ficam tortas, e deitamo-nos na cama desejando nunca ter acordado, e ter passado do ontem para o novo amanhã, sem ter parado no hoje, que custou muito, e tentamos planear esse novo amanhã e sonhamos como ele poderia ser perfeito.
E o dia de hoje, 4 de Fevereiro, apesar de simples dia comum, foi para mim um amanhã planeado à muito tempo, mas que na minha história imaginária escrevi-o de forma bem diferente... Pensei que veria o que afinal não vi, que ouviria de outra forma do que ouvi, e que agarraria o que não tive. Porque é triste pensar que vamos ter um momento perfeito nas mãos, mas quando as abrimos vemos que afinal elas estão vazias, e que o dia que desejávamos viver, afinal foi apenas mais um dia como tantos outros, e que hoje vamos dormir, não a sorrir pela recordação do que vivemos mas sim a desejar que o hoje continuasse a ser um amanhã, um amanhã que não chegasse nunca, pois assim a sua história apenas existiria na nossa mente, e na minha mente o dia de hoje teria sido fantástico.

è uma realidade o que dizes...
ResponderEliminarmas sabes, na maior parte das vezes,
O «problema» (se é que se pode chamar assim)
é mesmo nosso, está em nós.
Quer seja porque se sonha alto demais...
quer seja porque deixamos que se nos tolde a visão...
E quando acordamos apanhamos quase sempre um susto, somos surpreendidos...
Tudo de bom
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